Green Carpet e a reflexão do comportamento de consumo

Ao abrir o Caderno Ela de ontem, e ler a matéria falando sobre a Livia Giuggioli Firth, senti uma grande necessidade de trazer esse assunto para discutirmos hoje. Mas e quem é essa tal de Livia Firth? Ex-produtora de cinema e mulher de Colin Firth, a italiana é fundadora e diretora criativa da Eco Age, empresa que presta consultoria para as marcas criarem peças mais sustentáveis.

Em parceria com a Vogue italiana, criou o Green Carpet, evento que celebra as inovações que a moda conquista em prol do meio ambiente, além de premiar iniciativas sustentáveis da moda. A última edição aconteceu no dia 24/09 no Teatro alla Scala , durante a semana de moda de Milão, e com direito a um tapete verde feito de garrafas pet recicladas.

Nessa edição, uma das premiadas foi a Gisele Bündchen, por seu uso da própria influência para advogar pelas causas ambientais e procurar soluções para dilemas atuais. Para o evento ela usou um vestido de Stella McCartney, uma das estilistas que aderiram ao movimento sustentável proposto pela Eco Age. Já a anfitriã da festa, a Livia Firth, vestiu um vintage de Roberto Capucci. Algumas outras marcas também estão envolvidas em questões sustentáveis, como Tom Ford, Lanvin, Gucci e Chopard.

 

Mas o que tudo isso tem a ver com o nosso comportamento de consumo?

A Livia Firth e seu marido, Colin Firth, dão exemplo de comportamento consciente quando reutilizam looks, mesmo no red carpet. Precisamos entender que não dá para comprar desenfreadamente sem pensar em reutilizar e/ou reciclar. Livia veste um vestido da Sculptor feito de garrafas pet recicladas.


 

 

 

“Buy less, choose well, make it last” (Vivienne Westwood)

Diante de todo o contexto que estamos vivendo, crise política, crise econômica, desastres naturais, não temos como não nos deparar com pensamentos em prol do planeta.

A humanidade já consome 30% mais de recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra. Se os padrões de consumo e produção se mantiverem, em menos de 50 anos, serão necessários dois planetas Terra para atender a nossa necessidade de água, energia e alimentos.

Está na hora de escolher o que comprar, de quem comprar, definir a maneira melhor de usar e como descartar o que não usa mais. A isso damos o nome de Consumo Consciente. A indústria têxtil é uma das maiores poluidoras do mundo. Todo ano, cerca de 80 bilhões de peças de vestuário são produzidas mundialmente gerando um enorme impacto ambiental.

Fast Fashion x Slow Fashion

O fast fashion (moda rápida) surgiu no final do século XX, a partir de uma nova estratégia de produção no cenário da moda, levando as tendências das passarelas para os consumidores de forma rápida e a preços acessíveis. Com novidades a todo momento, as marcas fast fashion são desenhadas para nos fazer sentir que estamos sempre “fora da moda”. Somos bombardeados com mais de 50 “micro estações” a cada ano. O objetivo é nos incentivar a comprar mais peças possíveis e rapidamente. Por não ter uma certa preocupação com o material utilizado, os produtos não duram muito. A lógica do use e descarte.

Mas o que há de errado nesse modelo? Por um lado, podemos desfilar a todo momento peças novas a preços baratíssimos, mas por outro, se analisarmos toda a cadeia de produção, alguém está pagando caro por isso. Recursos naturais estão sendo usados irresponsavelmente, as péssimas condições de trabalho, muitas análogas à escravidão e o aumento da produção do lixo têxtil. Não é difícil perceber que esse modelo é realmente insustentável, correto?Em 2008, a inglesa Kate Fletcher, consultora e professora de design sustentável do britânico Centre for Sustainable Fashion, criou o conceito de Slow Fashion. Baseado no movimento de slow food, assim como em relação à alimentação, ele incentiva que tenhamos mais consciência dos produtos que consumimos.

Com valores ecológicos e sociais e objetivo de gerar impactos positivos, o Slow Fashion incentiva um modo de agir e pensar baseados em “qualidade sobre quantidade”, “menos é mais”, encoraja e reconhece modelos de negócios inovadores como, designers independentes, brechós, peças vintage, materiais reciclados, aluguel e troca de roupas, tingimentos naturais, cultura de roupas com significado, upcycling. Outros valores fortes são, o respeito e valorização de todos que participam da cadeia produtiva e priorizar fornecedores e mão de obra local. A escolha dos materiais utilizados é bem criteriosa, utiliza-se matérias de boa qualidade e se faz opção por cortes clássicos e criações versáteis e atemporais.

E aí, o que você está fazendo para se tornar um consumidor mais consciente?

 

 

Referências: Kate Fletcher ; The Reformation ; Slow Fashion Foward ; Slow Down Fashion ; Vogue Italy ; Caderno Ela

 

SalvarSalvar

SalvarSalvar

SalvarSalvar

SalvarSalvar

SalvarSalvar

SalvarSalvar