Momento de consumir ou de repensar?

Nesse momento de mudanças em todos os cenários, podemos aproveitar para refletir sobre uma serie de coisas. De antemão, já aviso que entendo os que defendem que não podemos parar o comércio e que as empresas estão passando por um período de indefinição e que muitas delas podem quebrar, principalmente as pequenas e médias - justamente as marcas que mais gosto. Mas, não quero entrar nesse mérito. Quero falar de uma coisa que vem me chamando atenção desde antes desse furação todo e que, agora, com a necessidade de as empresas venderem para fazer girar o estoque, se acirrou muito: a quantidade de incentivos que temos a consumir.

Todos os dias os meus emails e caixas de mensagens ficam abarrotadas de campanhas e promoções. Todos os dias os setores de marketing das empresas tentam se reinventar em busca de um pouco da nossa atenção para nos fazer comprar. Sempre foi assim, mas, nesses dias de confinamento, disparou a quantidade de promoção, bônus, lives, eventos, todas as formas de estímulos para tentar induzir o consumo. Em todos os ramos. Perceberam isso?

Foram diversas promoções. Algumas campanhas bastante interessantes como a que você paga 50 reais e recebe um voucher no valor de 100 para usar em uma lista de restaurantes participantes ou a que te dá 5 cortes de cabelo pelo preço de 3. Há também as pessoas que incentivam que mantenhamos os pagamentos aos prestadores de serviço que costumávamos contratar para que esses não fiquem sem renda durante a crise. Fiz isso com vários dos meus.

Mas e na moda? Sempre defendi e defendo o consumo consciente e a produção sem explorar a mão de obra do trabalhador. Fico me coçando para não "aproveitar a oportunidade" e comprar aquela peça com aquele desconto especial. Mas o que fazer? Quem incentivar? Vale a pena ceder aos desejos? Vale a pena comprar peças de roupa, sapatos, bolsas, acessórios sem saber quando vai poder utilizar?

Isso tem me inquietado e tem me levado a repensar em como e o que quero consumir daqui pra frente. Tenho certeza que, após esse turbilhão, nossa sociedade não será a mesma. Daremos valor a muitas outras coisas. Em geral, mais simples do que as que costumávamos valorizar. Ou não? Vamos continuar mantendo os mesmos padrões de consumo atuais? O que você acha? Parou para pensar nisso?